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Nutrição Oncologia

Ganho de peso no tratamento de câncer de mama: por que acontece e como manejar

8 de julho de 2026 Ana Paula Fernandes
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Resposta Direta

Muitas pacientes relatam: "Engordei no tratamento de câncer de mama e não consigo emagrecer." Esse é um dos efeitos mais angustiantes para quem enfrenta a doença. Apesar da fama de que o tamoxifeno engorda, a ciência mostra que o ganho de peso costuma ser multifatorial e nem sempre está relacionado diretamente ao medicamento. Neste artigo, você vai entender por que isso acontece, quais fatores realmente influenciam o aumento de peso e como a alimentação pode ajudar a controlar a composição corporal durante a hormonioterapia e após o tratamento.

Ganhar peso durante o tratamento do câncer de mama é uma realidade para muitas mulheres, mas nem sempre isso acontece apenas por causa do tamoxifeno ou da hormonioterapia. A combinação de alterações hormonais, redução da atividade física, menopausa induzida, uso de alguns medicamentos e mudanças na composição corporal pode favorecer esse ganho. A boa notícia é que a nutrição e um estilo de vida ativo ajudam a minimizar esse processo e preservar a saúde durante e após o tratamento.

✔ O ganho de peso durante o tratamento do câncer de mama é multifatorial.

✔ O tamoxifeno, isoladamente, não é considerado a principal causa do aumento de peso.

✔ A menopausa induzida pelo tratamento pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal.

✔ Preservar a massa muscular é tão importante quanto controlar o peso.

✔ Alimentação equilibrada e musculação ajudam a reduzir esse impacto.

✔ Dietas muito restritivas podem piorar a perda muscular.

✔ O acompanhamento nutricional individualizado melhora a qualidade de vida durante o tratamento.

Introdução

Receber o diagnóstico de câncer de mama já representa um grande desafio físico e emocional.

Ao longo do tratamento, muitas mulheres percebem outra mudança importante:

O ganho de peso.

Além da preocupação estética, esse aumento pode gerar insegurança, diminuir a autoestima e trazer impactos para a saúde metabólica.

A boa notícia é que entender as causas do ganho de peso permite criar estratégias eficazes para controlá-lo sem colocar a recuperação em risco.

O tamoxifeno realmente engorda?

Essa é uma das dúvidas mais pesquisadas na internet.

Os estudos mostram que não há evidências consistentes de que o tamoxifeno, sozinho, seja responsável pelo ganho de peso significativo.

O que acontece é que diversas mudanças ocorrem ao mesmo tempo durante o tratamento:

• Menor nível de atividade física.

• Maior fadiga.

• Alterações hormonais.

• Menopausa precoce induzida por alguns tratamentos.

• Redução da massa muscular.

• Mudanças no metabolismo.

Por isso, atribuir o aumento de peso apenas ao medicamento simplifica um problema que é muito mais complexo.

Por que o ganho de peso acontece?

1. Redução da massa muscular

Durante o tratamento pode ocorrer perda de massa magra.

Isso reduz o gasto energético diário e facilita o acúmulo de gordura corporal.

2. Menopausa induzida

Alguns tratamentos podem provocar menopausa precoce.

A queda dos níveis de estrogênio favorece:

• Ganho de gordura abdominal.

• Maior resistência à insulina.

• Redução do metabolismo.

3. Redução da atividade física

Fadiga, dor e efeitos colaterais frequentemente diminuem a prática de exercícios.

Menor movimento significa menor gasto calórico.

4. Alterações emocionais

Ansiedade, estresse e alterações no humor podem favorecer episódios de comer emocional.

5. Mudanças no padrão alimentar

Algumas pacientes aumentam o consumo de alimentos ultraprocessados ou utilizam a comida como forma de conforto durante o tratamento.

Como a nutrição pode ajudar?

A alimentação deve ter como objetivo principal:

• Preservar massa muscular.

• Controlar o ganho de gordura.

• Favorecer a recuperação.

• Reduzir inflamação.

• Melhorar disposição e qualidade de vida.

Nutrientes importantes durante a hormonioterapia

Proteínas

São fundamentais para preservar massa muscular.

Boas fontes incluem:

• Ovos.

• Frango.

• Peixes.

• Carnes magras.

• Iogurte natural.

• Feijões e lentilhas.

Fibras

Auxiliam no controle da glicemia e promovem maior saciedade.

Inclua:

• Frutas.

• Verduras.

• Legumes.

• Aveia.

• Leguminosas.

Gorduras saudáveis

Contribuem para a saúde cardiovascular.

Prefira:

• Azeite de oliva.

• Abacate.

• Castanhas.

• Sementes.

• Peixes ricos em ômega-3.

Exercício físico faz diferença?

Sim.

A musculação é uma das principais estratégias para:

• Preservar massa muscular.

• Reduzir o ganho de gordura.

• Melhorar força e funcionalidade.

• Combater fadiga relacionada ao tratamento.

Sempre que possível, o programa de exercícios deve ser liberado e adaptado pela equipe de saúde.

Dietas restritivas são recomendadas?

Não.

Durante o tratamento, restrições severas podem aumentar o risco de:

• Perda muscular.

• Deficiências nutricionais.

• Fadiga.

• Piora da recuperação.

O foco deve ser uma alimentação equilibrada e individualizada.

Como aplicar no dia a dia

• Consuma proteína em todas as refeições.

• Priorize alimentos naturais e minimamente processados.

• Inclua frutas, verduras e legumes diariamente.

• Pratique atividade física conforme orientação da equipe de saúde.

• Evite dietas radicais.

• Monitore o peso e a composição corporal regularmente.

Links internos recomendados

• /especialidades/nutricao-oncologica

• /blog/recuperacao-nutricional-pos-tratamento-oncologico

• /blog/imunonutricao-no-cancer

• /blog/soja-faz-mal-para-quem-teve-cancer-de-mama

• /blog/caquexia-oncologica-quando-o-paciente-perde-apetite-e-peso

Mitos e verdades

"Toda mulher que usa tamoxifeno engorda."

❌ Mito. O ganho de peso é multifatorial e não pode ser atribuído apenas ao medicamento.

"Musculação pode ser feita durante o tratamento."

✅ Verdade. Quando liberada pela equipe médica e adaptada às condições da paciente, ela traz benefícios importantes.

"Passar muitas horas sem comer ajuda a emagrecer."

Quer um Plano Personalizado?

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❌ Mito. Isso pode dificultar atingir as necessidades nutricionais e favorecer perda de massa muscular.

"A alimentação influencia a qualidade de vida durante o tratamento."

✅ Verdade. Uma alimentação adequada ajuda no controle de sintomas, na recuperação e na manutenção da saúde.

Quer controlar o peso durante o tratamento do câncer de mama com segurança?

Cada fase do tratamento oncológico apresenta desafios diferentes. Um plano alimentar individualizado pode ajudar a preservar massa muscular, controlar o ganho de gordura, reduzir sintomas relacionados ao tratamento e melhorar sua qualidade de vida.

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Bloco de autoridade da autora

Ana Paula Fernandes é nutricionista (CRN3 69496), especialista em Oncologia pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), com 12 anos de experiência em nutrição clínica. Atua no acompanhamento de mulheres com câncer de mama em todas as fases do tratamento, desenvolvendo estratégias nutricionais voltadas para preservação da massa muscular, controle do peso, manejo dos efeitos colaterais e melhora da qualidade de vida.

Conclusão

Ganhar peso durante o tratamento do câncer de mama não significa falta de cuidado ou de força de vontade. Na maioria das vezes, esse processo resulta da combinação entre alterações hormonais, redução da atividade física, mudanças na composição corporal e impactos emocionais.

Com uma estratégia nutricional adequada, prática regular de exercícios e acompanhamento especializado, é possível controlar o ganho de gordura, preservar a massa muscular e promover uma recuperação mais saudável e sustentável.

Perguntas Frequentes

O tamoxifeno realmente engorda?

As evidências científicas não demonstram que o tamoxifeno seja, isoladamente, responsável pelo ganho de peso. Outros fatores relacionados ao tratamento costumam ter maior influência.

A hormonioterapia dificulta o emagrecimento?

Ela pode favorecer alterações hormonais e na composição corporal, tornando o emagrecimento mais desafiador, mas não impossível.

Posso fazer dieta durante o tratamento?

Dietas muito restritivas não são recomendadas. O ideal é um plano alimentar equilibrado, individualizado e acompanhado por um nutricionista.

Qual exercício é mais indicado?

A musculação, associada a atividades aeróbicas conforme a capacidade e orientação da equipe de saúde, é uma das melhores estratégias para preservar massa muscular.

Vale a pena procurar um nutricionista durante a hormonioterapia?

Sim. O acompanhamento nutricional ajuda a controlar o peso, prevenir deficiências nutricionais, preservar massa muscular e melhorar a qualidade de vida durante todo o tratamento.

Referências

  • American Society of Clinical Oncology. Guidelines on Exercise, Nutrition and Weight Management in Cancer Survivors.

  • American Cancer Society. Nutrition and Physical Activity Guidelines for Cancer Survivors.

  • World Cancer Research Fund. Diet, Nutrition, Physical Activity and Cancer Prevention.

  • Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Diretrizes para o acompanhamento de pacientes com câncer de mama.

  • Academy of Nutrition and Dietetics. Oncology Nutrition Evidence-Based Practice Guidelines.

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