Ganhar peso durante o tratamento do câncer de mama é uma realidade para muitas mulheres, mas nem sempre isso acontece apenas por causa do tamoxifeno ou da hormonioterapia. A combinação de alterações hormonais, redução da atividade física, menopausa induzida, uso de alguns medicamentos e mudanças na composição corporal pode favorecer esse ganho. A boa notícia é que a nutrição e um estilo de vida ativo ajudam a minimizar esse processo e preservar a saúde durante e após o tratamento.
✔ O ganho de peso durante o tratamento do câncer de mama é multifatorial.
✔ O tamoxifeno, isoladamente, não é considerado a principal causa do aumento de peso.
✔ A menopausa induzida pelo tratamento pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal.
✔ Preservar a massa muscular é tão importante quanto controlar o peso.
✔ Alimentação equilibrada e musculação ajudam a reduzir esse impacto.
✔ Dietas muito restritivas podem piorar a perda muscular.
✔ O acompanhamento nutricional individualizado melhora a qualidade de vida durante o tratamento.
Introdução
Receber o diagnóstico de câncer de mama já representa um grande desafio físico e emocional.
Ao longo do tratamento, muitas mulheres percebem outra mudança importante:
O ganho de peso.
Além da preocupação estética, esse aumento pode gerar insegurança, diminuir a autoestima e trazer impactos para a saúde metabólica.
A boa notícia é que entender as causas do ganho de peso permite criar estratégias eficazes para controlá-lo sem colocar a recuperação em risco.
O tamoxifeno realmente engorda?
Essa é uma das dúvidas mais pesquisadas na internet.
Os estudos mostram que não há evidências consistentes de que o tamoxifeno, sozinho, seja responsável pelo ganho de peso significativo.
O que acontece é que diversas mudanças ocorrem ao mesmo tempo durante o tratamento:
• Menor nível de atividade física.
• Maior fadiga.
• Alterações hormonais.
• Menopausa precoce induzida por alguns tratamentos.
• Redução da massa muscular.
• Mudanças no metabolismo.
Por isso, atribuir o aumento de peso apenas ao medicamento simplifica um problema que é muito mais complexo.
Por que o ganho de peso acontece?
1. Redução da massa muscular
Durante o tratamento pode ocorrer perda de massa magra.
Isso reduz o gasto energético diário e facilita o acúmulo de gordura corporal.
2. Menopausa induzida
Alguns tratamentos podem provocar menopausa precoce.
A queda dos níveis de estrogênio favorece:
• Ganho de gordura abdominal.
• Maior resistência à insulina.
• Redução do metabolismo.
3. Redução da atividade física
Fadiga, dor e efeitos colaterais frequentemente diminuem a prática de exercícios.
Menor movimento significa menor gasto calórico.
4. Alterações emocionais
Ansiedade, estresse e alterações no humor podem favorecer episódios de comer emocional.
5. Mudanças no padrão alimentar
Algumas pacientes aumentam o consumo de alimentos ultraprocessados ou utilizam a comida como forma de conforto durante o tratamento.
Como a nutrição pode ajudar?
A alimentação deve ter como objetivo principal:
• Preservar massa muscular.
• Controlar o ganho de gordura.
• Favorecer a recuperação.
• Reduzir inflamação.
• Melhorar disposição e qualidade de vida.
Nutrientes importantes durante a hormonioterapia
Proteínas
São fundamentais para preservar massa muscular.
Boas fontes incluem:
• Ovos.
• Frango.
• Peixes.
• Carnes magras.
• Iogurte natural.
• Feijões e lentilhas.
Fibras
Auxiliam no controle da glicemia e promovem maior saciedade.
Inclua:
• Frutas.
• Verduras.
• Legumes.
• Aveia.
• Leguminosas.
Gorduras saudáveis
Contribuem para a saúde cardiovascular.
Prefira:
• Azeite de oliva.
• Abacate.
• Castanhas.
• Sementes.
• Peixes ricos em ômega-3.
Exercício físico faz diferença?
Sim.
A musculação é uma das principais estratégias para:
• Preservar massa muscular.
• Reduzir o ganho de gordura.
• Melhorar força e funcionalidade.
• Combater fadiga relacionada ao tratamento.
Sempre que possível, o programa de exercícios deve ser liberado e adaptado pela equipe de saúde.
Dietas restritivas são recomendadas?
Não.
Durante o tratamento, restrições severas podem aumentar o risco de:
• Perda muscular.
• Deficiências nutricionais.
• Fadiga.
• Piora da recuperação.
O foco deve ser uma alimentação equilibrada e individualizada.
Como aplicar no dia a dia
• Consuma proteína em todas as refeições.
• Priorize alimentos naturais e minimamente processados.
• Inclua frutas, verduras e legumes diariamente.
• Pratique atividade física conforme orientação da equipe de saúde.
• Evite dietas radicais.
• Monitore o peso e a composição corporal regularmente.
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Mitos e verdades
"Toda mulher que usa tamoxifeno engorda."
❌ Mito. O ganho de peso é multifatorial e não pode ser atribuído apenas ao medicamento.
"Musculação pode ser feita durante o tratamento."
✅ Verdade. Quando liberada pela equipe médica e adaptada às condições da paciente, ela traz benefícios importantes.