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Isoflavona na menopausa: para que serve e o que a ciência mostra sobre fogachos e sintomas

17 de agosto de 2026 Ana Paula Fernandes
Isoflavona na menopausa: para que serve e o que a ciência mostra sobre fogachos e sintomas — thumbnail padrão
Resposta Direta

A isoflavona é um fitoestrógeno presente principalmente na soja e vem sendo estudada como alternativa para mulheres que buscam aliviar sintomas da menopausa. Embora algumas pesquisas encontrem redução de determinados sintomas, especialmente fogachos, os resultados são inconsistentes. Por isso, seu uso deve ser individualizado, considerando sintomas, alimentação, histórico de saúde e outras opções terapêuticas disponíveis.

A isoflavona ajuda nos sintomas da menopausa?

As isoflavonas são compostos encontrados principalmente na soja que possuem atividade semelhante ao estrogênio em alguns tecidos. Estudos mostram resultados diferentes sobre seu efeito nos sintomas da menopausa. Algumas pesquisas sugerem benefício para determinados sintomas, mas as evidências atuais não permitem considerar a isoflavona um tratamento tão eficaz quanto as terapias comprovadas para fogachos.

Principais conclusões

  • Isoflavonas são fitoestrógenos encontrados principalmente na soja.

  • Elas interagem com receptores de estrogênio, mas não funcionam como a terapia hormonal.

  • As evidências sobre redução dos fogachos são inconsistentes.

  • Alguns estudos demonstram benefício; outros não encontram efeito significativo.

  • A resposta pode variar conforme o tipo de isoflavona e a capacidade individual de produzir equol.

  • Alimentos à base de soja podem fazer parte de uma alimentação saudável.

  • Suplementos concentrados não devem ser utilizados indiscriminadamente.

  • Sintomas intensos de menopausa merecem avaliação individualizada.

O que são isoflavonas?

As isoflavonas são compostos naturais pertencentes ao grupo dos fitoestrógenos.

Elas são encontradas principalmente em:

  • Soja;

  • tofu;

  • tempeh;

  • bebida de soja;

  • edamame;

  • proteína de soja.

Também podem ser encontradas em algumas outras plantas, como o trevo-vermelho.

As principais isoflavonas da soja são genisteína, daidzeína e gliciteína.

Esses compostos conseguem interagir com os receptores de estrogênio do organismo. Entretanto, sua ação é muito mais fraca e seletiva do que a do estrogênio produzido pelo organismo ou utilizado em terapia hormonal.

Por que a isoflavona é estudada na menopausa?

Durante a menopausa, os ovários reduzem progressivamente a produção de estrogênio.

Essa mudança hormonal está relacionada a diversos sintomas, principalmente os chamados sintomas vasomotores, como fogachos e sudorese noturna.

Os fogachos podem ocorrer em até 80% das mulheres durante a transição menopausal e podem interferir no sono, no humor e na qualidade de vida.

Como as isoflavonas apresentam atividade semelhante à do estrogênio em determinados receptores, surgiu a hipótese de que poderiam ajudar a amenizar alguns sintomas relacionados à queda hormonal.

É justamente por isso que a soja e seus derivados despertam tanto interesse na alimentação da mulher na menopausa.

Isoflavona funciona para os fogachos?

A resposta mais correta é: pode ajudar algumas mulheres, mas as evidências ainda são inconsistentes.

Uma revisão sistemática publicada em 2019 encontrou redução dos fogachos com alguns suplementos de isoflavonas, mas destacou a heterogeneidade dos estudos e a falta de consenso sobre os efeitos.

Mais recentemente, uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, envolvendo cinco estudos e 425 mulheres, não encontrou efeito significativo das isoflavonas sobre os sintomas gerais da menopausa, incluindo sintomas vasomotores.

Outra meta-análise publicada mais recentemente encontrou benefício geral sobre alguns sintomas menopausais, mas não encontrou efeito significativo especificamente sobre fogachos, sudorese excessiva, insônia ou sintomas vasomotores.

Portanto, não é correto afirmar que a isoflavona "acaba com os fogachos".

Por que os estudos apresentam resultados tão diferentes?

Uma das dificuldades para avaliar a isoflavona é que os estudos utilizam produtos muito diferentes.

Há pesquisas avaliando:

  • Alimentos à base de soja;

  • Extratos de soja;

  • Genisteína;

  • Daidzeína;

  • Equol;

  • Diferentes doses;

  • Diferentes períodos de tratamento.

Além disso, existe uma diferença importante entre as próprias mulheres: nem todas conseguem transformar a daidzeína em equol, um metabólito produzido pela microbiota intestinal.

A posição da The Menopause Society destaca que essa capacidade pode influenciar a resposta aos produtos de soja e que apenas uma parcela das mulheres ocidentais produz equol.

O que é equol?

O equol é um composto produzido por determinadas bactérias intestinais a partir da daidzeína, uma das isoflavonas presentes na soja.

Nem todas as pessoas conseguem produzi-lo.

Isso é importante porque parte dos efeitos estudados da soja e das isoflavonas pode depender justamente dessa conversão.

Atualmente, porém, não existe um teste comercial amplamente disponível para determinar de forma prática quem é ou não produtor de equol, segundo a The Menopause Society.

Soja e isoflavona são a mesma coisa?

Não.

A soja é um alimento que contém proteínas, fibras, minerais e isoflavonas, entre outros nutrientes.

Já a isoflavona pode ser consumida na forma de extrato ou suplemento concentrado.

Essa diferença é importante.

Incluir tofu, edamame ou outros alimentos à base de soja em uma alimentação equilibrada é muito diferente de tomar um suplemento concentrado de isoflavonas.

Por isso, não devemos automaticamente transferir os resultados de estudos realizados com suplementos para o consumo habitual de alimentos à base de soja.

Quais alimentos são fontes de isoflavonas?

Entre as principais fontes estão:

Edamame, soja, Tempeh, Proteína de soja, soja em grãos, bebida de soja.

A inclusão desses alimentos pode fazer parte de um padrão alimentar saudável, desde que sejam adequados às necessidades e preferências da mulher.

Isoflavona substitui a terapia hormonal?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes do artigo.

A terapia hormonal possui evidências robustas para o tratamento de sintomas vasomotores da menopausa e continua sendo uma das opções mais eficazes para mulheres com sintomas importantes, quando não existem contraindicações.

A isoflavona não deve ser apresentada como equivalente à terapia hormonal.

A decisão sobre terapia hormonal ou tratamento não hormonal deve ser feita individualmente com o médico, considerando idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico clínico e fatores de risco.

A isoflavona pode ajudar em outros sintomas da menopausa?

Talvez, mas novamente os resultados são variáveis.

Uma meta-análise de 2024 não encontrou melhora significativa dos sintomas gerais da menopausa ou da qualidade de vida, embora tenha observado redução de sintomas depressivos.

Outra revisão encontrou efeitos positivos em alguns sintomas psicossociais, cefaleia, palpitações e depressão, mas não demonstrou benefício significativo para fogachos, insônia ou sintomas vasomotores.

Isso mostra por que é inadequado prometer que a isoflavona resolverá todos os sintomas da menopausa.

Qual a melhor forma de consumir soja na menopausa?

Quando não há contraindicação individual, priorizar alimentos à base de soja pode ser uma maneira interessante de incluir isoflavonas na alimentação.

Algumas opções:

  • Tofu em preparações salgadas;

  • Edamame em saladas;

  • Tempeh;

  • Bebida de soja sem excesso de açúcar;

  • Soja em grãos.

Além das isoflavonas, esses alimentos podem contribuir com proteínas e outros nutrientes importantes.

O foco deve estar no padrão alimentar como um todo, e não em um único alimento ou suplemento.

Isoflavona engorda?

Não há evidência de que a isoflavona, por si só, provoque ganho de peso.

O ganho de gordura corporal durante a menopausa está relacionado a diversos fatores, incluindo envelhecimento, redução de massa muscular, alterações hormonais, menor gasto energético e mudanças no comportamento alimentar.

Por isso, utilizar isoflavona como estratégia isolada para emagrecimento não é recomendado.

Para mulheres que também apresentam dificuldade para perder peso nessa fase, a alimentação deve ser planejada considerando composição corporal, ingestão proteica, atividade física e rotina.

Existem contraindicações para a isoflavona?

A segurança depende da forma utilizada, dose, histórico clínico e contexto individual.

A soja é também um dos principais alimentos alergênicos e pode causar desde sintomas gastrointestinais até reações alérgicas graves em pessoas sensíveis.

Além disso, suplementos concentrados não devem ser tratados como se fossem equivalentes ao consumo de alimentos.

Mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, uso de determinados medicamentos ou outras condições clínicas devem conversar com seus médicos antes de iniciar suplementos de isoflavonas.

Mitos e verdades

"Isoflavona é um hormônio natural."

❌ Mito.

Ela é um fitoestrógeno. Possui estrutura e atividade semelhantes ao estrogênio em determinados receptores, mas não é o mesmo hormônio produzido pelo organismo.

"Isoflavona elimina os fogachos."

❌ Mito.

As pesquisas apresentam resultados inconsistentes. Algumas demonstram benefício, enquanto outras não encontram redução significativa dos sintomas vasomotores.

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"Mulheres na menopausa podem consumir soja."

✅ Verdade.

Alimentos à base de soja podem fazer parte de uma alimentação equilibrada para a maioria das mulheres que não apresentam alergia ou outra contraindicação individual.

"Toda mulher responde da mesma maneira à isoflavona."

❌ Mito.

A resposta pode variar conforme o tipo de produto, dose, metabolismo das isoflavonas e capacidade individual de produzir equol.

"Isoflavona é tão eficaz quanto terapia hormonal."

❌ Mito.

A terapia hormonal possui evidências mais robustas e é considerada uma das opções mais eficazes para fogachos quando indicada.

https://nutrianafernandes.com.br/artigos/osteoporose-comeca-antes-da-menopausa-a-importancia-da-alimentacao-na-saude-ossea

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Quando procurar acompanhamento profissional?

Se os fogachos, alterações do sono, ganho de peso, ansiedade ou outros sintomas estão interferindo na sua qualidade de vida, não é necessário tentar resolver tudo apenas com suplementos.

Uma avaliação individual permite analisar alimentação, composição corporal, rotina, sintomas, exames e objetivos.

Também é importante identificar quando determinado sintoma precisa de avaliação médica antes de qualquer intervenção nutricional.

Agende sua consulta nutricional

A menopausa não precisa ser enfrentada com uma lista de alimentos proibidos ou uma coleção de suplementos.

Na consulta nutricional, a alimentação é individualizada de acordo com seus sintomas, rotina, composição corporal, preferências e objetivos.

O acompanhamento pode ajudar você a organizar a alimentação para emagrecer, preservar massa muscular, melhorar a qualidade nutricional e cuidar da saúde durante a menopausa.

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Sobre a autora

Ana Paula Fernandes é nutricionista clínica, com atuação em saúde da mulher, menopausa, emagrecimento feminino e composição corporal. Seu trabalho é baseado em estratégias nutricionais individualizadas, considerando rotina, preferências alimentares, sintomas, exames e objetivos de cada paciente.

Conclusão

A isoflavona é um dos suplementos mais conhecidos quando o assunto é menopausa, principalmente por sua relação com os fitoestrógenos presentes na soja. Entretanto, a ciência não permite afirmar que ela seja uma solução universal para os fogachos ou para os demais sintomas dessa fase.

Alguns estudos demonstram benefícios, enquanto outros não encontram efeitos significativos. A resposta também pode variar entre as mulheres.

Por isso, mais importante do que buscar um único suplemento é construir uma estratégia completa, envolvendo alimentação equilibrada, atividade física, sono, controle do peso, preservação da massa muscular e acompanhamento médico e nutricional quando necessário.

Perguntas frequentes

Para que serve a isoflavona na menopausa?

A isoflavona é estudada principalmente pelo potencial de auxiliar no controle de sintomas relacionados à redução do estrogênio, especialmente fogachos. Entretanto, os resultados científicos são inconsistentes e não permitem afirmar que funcione para todas as mulheres.

Quanto tempo a isoflavona demora para fazer efeito?

Não existe um período universalmente estabelecido. Os estudos utilizam diferentes doses, formulações e períodos de acompanhamento. Por isso, não é adequado prometer que a isoflavona produzirá resultado em determinado número de dias.

Qual a melhor isoflavona para a menopausa?

Não existe uma única formulação comprovadamente superior para todas as mulheres. Estudos avaliam diferentes combinações e doses de isoflavonas, além de produtos contendo equol. A escolha de um suplemento deve considerar o contexto individual.

Soja ajuda nos fogachos?

Pode ajudar algumas mulheres, mas as evidências são inconsistentes. A The Menopause Society classifica atualmente as evidências para alimentos e extratos de soja como limitadas e inconsistentes para o tratamento dos sintomas vasomotores.

Isoflavona pode substituir reposição hormonal?

Não. A terapia hormonal e os suplementos de isoflavona não são equivalentes. A terapia hormonal apresenta evidências mais consistentes para aliviar fogachos e outros sintomas vasomotores.

Referências científicas

  1. The Menopause Society. Nonhormone Therapy Position Statement. Menopause. 2023. A posição classifica as evidências sobre alimentos e extratos de soja para sintomas vasomotores como mistas e insuficientes para recomendação.

  2. Gençtürk N, Bilgiç FŞ, Kaban HÜ. The effect of soy isoflavones given to women in the climacteric period on menopausal symptoms and quality of life: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Explore. 2024.

  3. Effects of soy isoflavones on menopausal symptoms in perimenopausal women: a systematic review and meta-analysis. Estudo publicado em 2025, avaliando 12 estudos e diferentes sintomas menopausais.

  4. Isoflavone Supplements for Menopausal Women: A Systematic Review. Nutrients. 2019;11(11):2649.

  5. The Menopause Society. Hot Flashes and Night Sweats. Material de educação para pacientes sobre sintomas vasomotores e opções terapêuticas.

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